terça-feira, 14 de abril de 2009

Sisters' Love is forever!

- Podes já tirar daí as ideias, que eu bem sei o que estás a pensar, e essa cara de amuada também. - Oh se sabias! Sempre tivemos esta química de conseguires entender o que eu sentia só pelo olhar.
- Não estou a pôr cara nenhuma. E sinceramente, nem sei para que é que vim.
- Vieste, porque vens todos os anos. Foi o combinado desde que aqui estivemos juntas pela primeira vez, e não é este ano que vamos quebrar.
- Está bem, mas este ano não estou com disposição, podiamos esperar mais uns dias, até eu me recompor....
- É exactamente o contrário, assim curas o coração mais rápido, os novos ares com, ao mesmo tempo, o sabor à tua segunda casa vão fazer-te bem! - Ela tinha razão, a minha segunda casa. Mas a minha segunda casa não era física, a minha segunda casa (e eu quase que arriscava dizer a primeira) era qualquer lugar em que estivesse com ela.
Já íamos a meio da Oxford Street, quase a chegar a Oxford Circus, embaladas pela multidão, quase nos arrastávamos. Eu, como todos os anos, de mochila às costas, cabelo despenteado - como todos os dias-, um dos muitos vestidos que eu tinha, e os óculos de sol (iguais aos dela) a tentar esconder o  ar cansativo de quem não tinha dormido nada durante a noite, ansiosa por abraçar a mana. Ela, com o seu ar de artista, calças hippies, cabelo meio apanhado, pulseiras pelo braço, e os óculos de sol (iguais aos meus) a tentar esconder o ar preocupado de quem não tinha dormido nada durante a noite, ansiosa por abraçar a mana.
- Chego a sentir-me mal com esta situação toda, sabes?
- Não sejas parva, que culpa tens tu de seres mulher e precisares de chorar enquanto comes gelado, de ver filmes e séries com resmas de pacotes de lenço ao lado, e de no intervalo das tuas oscilações de humor, mandares os teus bitaites de quem quer encorajar o coração a ser mais forte?
- Está bem, mas se não fosse por isso nada disto tinha acontecido. Oh mana, desculpa!
- Não sejas parva, desculpa de quê? Respira, esquece, let it go...
- *inspira; expira* Está!! E então hoje, o habitual?
- Sim, claro! Tradição é tradição. Vamos pousar as coisas a casa, tomas um banho quente, eu mudo de roupa e tu vestes mais um dos teus vestidos, jantar na Subway e a seguir Irish Pub! - E tinha vindo a ser assim todos os anos desde que tinhamos ido pela primeira vez a Londres juntas. Estavamos as duas com corações a renovar, o dela já estava quase reciclado, o meu ainda estava torcido, mas a recuperar, e assim descobrimos o Irish Pub, qual série de american high school. Naquela noite - da qual eu não posso falar muito por não me recordar ao certo do que se passou- prometemos uma à outra que fosse qual fosse a situação em que estavamos, aqueles três dias iam ser passados em Londres, e desde aquela noite - da qual ela também não pode falar muito por não se recordar ao certo do que se passou- que cumpriamos à risca o nosso ritual.
Já estávamos quase a chegar a casa, e enquanto eu limpava as lágrimas que teimavam em caír e ela me amparava o coração, ela olhou:
- Olha mana...
- O que é?
- Sisters' Love is forever!! Estás a ver? No matter what, Sisters' Love is forever.
- And nothing can come in between.
Abraçamo-nos com força, no meio da rua, não um daqueles abraços que dávamos ao subir a Rua de Sá da Bandeira, mas um daqueles abraços de irmãs com o peito aberto.
- Oh mana, o nosso amor é para tudo.
E ela tinha razão, o nosso amor era mesmo para tudo.

Qualquer semelhança com a realidade que o texto possa ter, são apenas coincidências!



* As frases que estão em itálico são frases que pertencem à realidade.
** Gostava também de deixar uma nota acerca de conceitos como:
  • Ironia: Expressão ou gesto que dá a entender o contrário do que significa; sarcasmo.
  • Sarcasmo: Ironia amarga.
  • Conotação: Processo que consiste na interpretação de outro sentido das palavras.
  • Denotação: Processo que consiste na interpretação do sentido literal das palavras.

11 comentários:

Tani disse...

crying my heart out.

Tani disse...

Foi a coisa mais bonita e que me tocou mais que já escreveste.



está lindissimo, tão fiel aos nossos olhares, tao veridico que nos veja ali, ano após ano a continuarmos irmas que sempre fomos.

"nós crescemos juntas, ao mesmo tempo" - (tenho gravado no peito a imagem de tu me agarrares hoje no comboio, em busca de refugio com as lagrimas a escorrer pela cara).

Eu nutro por ti o sentimento mais bonito e puro que pode existir.

Tani disse...

*hug*

Débra disse...

o vosso sentimento é tao profundo :'D
Amei, venerei este texto *.*
Parabens por esta maravilha

beijinho*

Qel disse...

adorei o ler todo esse sentimento tão bem transmitido e adorei ainda mais as últimas frases. O teu pai tem razão.
Um beijinho (: *

~ Jessica disse...

Obrigada pelo comentário.

Gostei tanto, mas TANTO do texto :O

Beijinho* :)

Filipa disse...

My God:
This is a masterpiece!

Será que não és capaz de escrever um pouquinho mal?
Tens de ser sempre assim, perfeita?
(Já consideraste a hipótese de ser escritora?)

LINDA!...
Milhões de beijos!

Joana Éme. disse...

Denotação é para falhados x'D

gosto tanto de vocês, filhotas. tanto, tanto!

Claudia disse...

Adoro ler o que escreves.
Sabes-me dizer porque me fazes chorar? Claro, é por isso mesmo: identifico-me em tanta coisa que até me emociono mesmo nas coisas bonitas. É boa conhecer alguém a descreve-las de uma forma tão perfeita.
Eu sei, ando assim muito emotiva mas o que escreves está tão bem dito que além de o sublinhar gravo-o.
BEIJINHO

disse...

Adorei Marianinha! Está mesmo bonito e cheio de sentimento. Está fantástico. : )
E realmente, o teu pai tem razão!
beijinho*

V disse...

emocionante :)
e é sempre bom prestar esses esclarecimentos :P *